segunda-feira, 6 de outubro de 2008
TEXTOS E ARTIGOS
PERMACULTURA – DESENHO PARA A SUSTENTABILIDADE
Facilitadora: Marsha Hanzi
Instituto de Permacultura da Bahia
CONTEÚDO
1. Velho Paradigma vs Novo Paradigma
2. A Permacultura: Ferramenta para o novo paradigma
3. Princípios, Estratégias, Técnicas
4. O Ecossistema como Modelo
5. Técnicas de observação
6. Colocando no papel
Permacultura: Desenho para a Sustentabilidade
Velho Paradigma vs Novo Paradigma
Um paradigma é um conjunto de idéias, atitudes e valores que gravitam por volta de “princípios”. Como exemplo temos os paradigmas que surgem por volta dos princípios de “competição” vs. “cooperação”. Estes princípios determinam atitudes e decisões que resultam em ações.
O resultado final num mundo baseado na competição é a guerra. O resultado final de um mundo baseado na “cooperação” é a paz e a evolução.
Atualmente o mundo encontra-se numa fase intermediária, em um paradigma extremamente destrutivo (que chamamos de “velho”) contrapondo-se a um novo, que propicia condições de regeneração e reconstrução de um mundo em harmonia.
Estes dois paradigmas podem ser simbolizados da seguinte maneira:
O velho paradigma
Analisando o triângulo como estrutura social ( baseado em hierarquias), observamos que existem um ou poucos no topo e muitos em baixo. Aquele que está no topo sente-se ameaçado por quem está em baixo (querendo subir) e aquele que está em baixo sente medo de quem está no topo (mantendo o controle). Por este motivo o velho paradigma é baseado no medo e no controle. Isto implica competição.
Neste paradigma, quem tem poder é a instituição. A pessoa no topo (o diretor, o chefe, etc.) parece poderoso, mas pode facilmente ser substituído. As pessoas comuns se sentem impotentes como indivíduos e procuram a segurança no mundo externo (o emprego, o marido, o governo, etc.).
Depender assim do mundo externo leva ao materialismo. A felicidade é definida como subir na hierarquia e acumular bens (outro símbolo de ascensão social).
Finalmente, este paradigma tem seus argumentos baseados no pensamento linear, uma simples relação causa-efeito, sem levar em consideração todas as complexidades do contexto econômico, social e ecológico dentro do qual cada ação está inserida.
O novo paradigma
Na nova estrutura, baseada no círculo, não tem ninguém (pelo menos permanentemente) no topo. Qualquer um pode assumir este papel, conforme a situação. Este é um paradigma baseado nas funções e nas relações de confiança mútua, levando à cooperação. É uma estrutura dinâmica (provavelmente seria melhor desenhá-lo como vórtex ) em constante evolução, que contrasta com a rigidez da hierarquia.
Baseada na cooperação, reconhecendo a contribuição única de cada indivíduo, este paradigma se baseia no poder pessoal, significando também responsabilidade pessoal. Não se espera, portanto, que a instituição (governo, ciência, etc.) resolva os problemas.
A felicidade neste paradigma é definida como auto-realização individual e qualidade de vida. O mundo material é visto dentro de um contexto maior.
Assim sendo, este paradigma leva ao pensamento global (holístico/ sistêmico), onde se reconhece que tudo está interligado, que cada ação resulta numa complexidade multidimensional de conseqüências.
Um ato de coragem e fé
Embora muitos desejem este novo mundo, o salto exige coragem e fé. É mais cômodo entregar o poder à instituição, porque essa atitude não implica riscos pessoais. Inserir-se no novo paradigma implica abrir mão de certas garantias dadas pelas hierarquias, abdicar do medo e confiar num universo abundante e benevolente. É colocar-se em movimento sem ter garantia do resultado final.
Quando o indivíduo dá este passo, as pessoas que ainda se agarram no velho se sentem ameaçadas, projetando seus medos sobre a pessoa em transição. Por este motivo a transição é muito difícil sem o suporte de um grupo.
A Permacultura: Ferramenta para o novo paradigma
A Permacultura é um sistema de planejamento integrado, que propicia ferramentas para esta transição, baseando-se no ecossistema como modelo.
Seu propósito é:
Cuidar da terra (o planeta)
Cuidar das pessoas (oferecer ferramentas para o auto-sustento)
Compartilhar os excedentes (fluxo em vez de acúmulo)
Está baseada no princípio da cooperação entre os Homens e com a Natureza. Ensina como adquirir poder sobre sua própria vida, tendo seu próprio alimento, casa, energia, água, de uma forma harmoniosa, que regenera o local. Os carros-chefes são a produção de alimentos e a arquitetura ecológica.
A Permacultura trabalha em dois níveis: planejamento de projetos concretos (quintais, sítios, fazendas, etc.) e planejamento sustentável de comunidades (novas ou já existentes). Atualmente os profissionais deste movimento estão bastante envolvidos na questão de Agenda 21.
Embora originalmente a permacultura estivesse caracterizada como um sistema de planejamento físico de propriedades rurais, hoje, no planejamento destas comunidades, é preciso considerar aspectos de planejamento social, econômico (sistemas de trocas, etc.) e espiritual como parte imprescindível dos projetos. Isso ocorre porque no novo paradigma reconhece-se que a felicidade não se resume ao materialismo e para haver harmonia em eco-vilas, bairros, assentamentos, etc, o social e espiritual precisam ser levados em consideração e podem também ser planejados.
Princípios, Estratégias, Técnicas
Para se planejar um sistema de auto-sustento, é preciso clareza nos princípios de base que norteiam o trabalho. Na Permacultura, um dos princípios é a cooperação, como citado anterior e outro princípio fundamental para projetar um sistema sustentável é o princípio de respeito pela sabedoria da Natureza, que desenvolveu um sistema perfeito para cada lugar.
Então qualquer projeto começa com observação aguçada da natureza do local.
Assim, do princípio (respeito pela sabedoria da Natureza), surge a estratégia
(observar e copiar a Natureza), do qual surgirão as inúmeras técnicas, que possam ser emprestadas de outras situações similares, ou criadas no local.
PRINCÍPIO Æ ESTRATÉGIA Æ TÉCNICAS
Em resumo, o princípio é o porque de fazer o muro naquele lugar, daquele jeito e sem princípios claros as mesmas técnicas podem ser tanto benéficas quanto destrutivas. A estratégia é saber onde e quando fazer o muro (a técnica dentro do espaço e do tempo). As técnicas são os tijolos e como montá-los.
Por este motivo, o treinamento em Permacultura depende mais do ensinar a observar e tirar conclusões a respeito de uma situação, com algumas estratégias básicas mais universais que se podem aplicar em qualquer situação. As técnicas são muitas dentro da literatura e estão longe de esgotar as possibilidades de cada lugar. Entendendo as estratégias, qualquer pessoa pode avaliar ou criar a técnica apropriada para determinada situação.
Metas
Além do potencial de cada lugar, dado pela sua natureza, levamos em consideração o propósito da(s) pessoa(s) que vai(vão) implantar o projeto, seus sonhos, sua meta de vida. Esta meta é superposta nas condições oferecidas pelo lugar, num casamento feliz do homem com a Natureza. (às vezes o profissional tem o triste dever de alertar a pessoa que aquela meta não cabe naquele lugar...)
As possibilidades de cada lugar são infinitas e é o homem que define o propósito, que dá o impulso. Uma vez o impulso dado, a Natureza equilibra e o homem observa e ajusta suas ações pelo retorno recebido da Natureza. Assim, desenvolve-se uma verdadeira parceria de cooperação entre os dois.
Por este motivo, é imprescindível uma intenção clara para cada projeto.
O Ecossistema como Modelo
Características do ecossistema: biodiversidade, densidade, verticalidade, sucessão, funções, relações e fluxos. A Lei da Otimização da Vida. Modelos agroflorestais, ecossistemas planejados para produção de alimentos.
A horta agroflorestal.
A casa como ecossistema
A comunidade como ecossistema
Técnicas de observação
1) O solo, a vegetação:
Areia ou argila? Vegetação vigorosa ou raquítica?
Condição dos ecossistemas mais intactos no lugar ou na vizinhança: floresta de abundância ou sistema de acúmulo? (Veja tabela)
2) As energias que atravessam o local (“aspectos”)
O caminho do sol; os ventos; movimentação da água (declive); barulho; perigo; fogo.
3) Micro-climas
Variações em topografia; presença de afloramentos de pedras; variações em vegetação; presença de água.
4) Acessando informação diretamente da Natureza
Usando kinesiologia; intuição e imagens.
Colocando no papel
1) Como planejar um pequeno terreno
? Definir a intenção para o terreno;
? Observar os aspectos, micro-climas, consulte as energias do local;
? Observar o terreno dentro do contexto topográfico maior (mapas, fotografias aéreas);
? Estratégias para falta de espaço:
1. Usar o espaço vertical: muros, paredes, suportes;
2. Usar árvores miniaturas;
3. Usar hortaliças permanentes;
4. Estratégias a nível bairro: trocas entre vizinhos;
? Estratégias para produção contínua;
? Captação e reciclagem da água em espaços pequenos.
2) Como planejar um sítio
? Definição de intenção;
? Verificação se esta intenção cabe ao lugar;
? Conhecer o lugar sem análise, por sensações e intuições;
? Análise da topografia, declive (mapas, fotografias aéreas);
? Análise dos aspectos (sol, vento, enchentes, etc.);
? Análise de produtos e acesso a mercados (conforme intenção);
? Como planejar em conjunto com a Natureza do lugar: uso do pêndulo, florais em planejamento;
? Definindo áreas de atuação: zonas;
? Desenhando o projeto;
? A contra-proposta da Natureza: o projeto como processo dinâmico.
3) Como planejar um povoado (eco-vila, comunidade, etc.):
? Intenção do projeto: comunidade ou condomínio ecológico?
? Como se planeja em grupo – algumas técnicas;
? Como a colocação física determina interações sociais do projeto;
? Desenho no macro, usando o mesmo processo para áreas menores (“aninhamento”– o micro dentro do macro);
? As fases de desenvolvimento (baseada no ecossistema);
? Viabilizando um projeto- alguns exemplos de sucesso e de fracasso;
? Relações e fluxos - o segredo de um “organismo” (pessoa, comunidade, etc) saudável;
? A importância da celebração no planejamento de projetos de comunidades e eco-vilas: Tipos de celebrações e como organizá-las;
Marsha Hanzi
PERMACULTURA – DESENHO PARA A SUSTENTABILIDADE
Este módulo ira introduzir os princípios da Permacultura no contexto de assentamentos humanos sustentaveis, as ecovilas.
A Permacultura “agricultura permanente", conceito desenvolvido nos anos 70 por dois australianos: David Holmgren e Bill Mollison, reúne conhecimentos e habilidades de diversas disciplinas ecológicas – velhas e novas – para satisfazer nossas necessidades básicas de alimentação e abrigo, bem como para a criação de estruturas sociais e financeiras sustentáveis.
Topicos a serem explorados incluem: etica, princípios e estrategias da Permacultura para o desenho consciente de um futuro sustentável, baseado na cooperação com a Natureza e no cuidado com a Terra e seus habitantes.
PERMACULTURA – NOTAS SOBRE O TEMA
Criada por Bill Mollison e David Holmgren nos anos 70 do século passado, a Permacultura é, desde o princípio, um método de design para a produção de alimentos. Foi desenvolvida como um sistema agricultural sustentável, baseado na policultura de árvores perenes, arbustos, ervas, vegetais, fungos e tubérculos, em contraposição ao modo de produção industrializado, baseado na monocultura, vigente até hoje.
A palavra vem da junção das palavras AGRICULTURA PERMANENTE. Porém hoje o conceito extendeu-se para a visão de CULTURA PERMANENTE, pois abrange outros setores da vida tais como a Habitação, por exemplo. Mas também poderá estar permeando o trabalho com os aspectos do corpo, da mente, da família, dos relacionamentos com a comunidade, com a Natureza, com o Mundo.
A Permacultura respeita o entendimento de que o homem é somente um componente da Natureza, que está ligado aos outros elementos, e que a Terra é uma comunidade organicamente entrelaçada de plantas, animais, microorganismos se auto-sustentando.
A Permacultura é multi-disciplinar e é poli-produtiva.
Ela propõe a aplicação de conhecimentos tradicionais ao mesmo tempo que não dispensa as tecnologias modernas não impactantes ao meio ambiente.
Por todos os conceitos aplicados a Permacultura ela constitui-se em ferramenta importante no contexto das Ecovilas, sendo em alguns casos o motivo da cola.
A Permacultura baseia-se em três princípios éticos:
1. CUIDADO COM A TERRA
O Planeta é mais do que nossa casa: é o nosso corpo. Portanto devemos cuidar dele e de todos os seus elementos, vivos ou não: águas, solos, atmosfera, toda variedade de espécies animais e vegetais, bem como seus habitats, e os ciclos biológicos.
Isto implica em atitude inofensiva e ao mesmo tempo reabilitante, em conservação ativa e no uso de recursos naturais de forma ética e frugal.
2. CUIDADO COM AS PESSOAS
A Humanidade representa uma pequena parcela da totalidade dos sistemas vivos, mas apesar disto nós causamos um impacto violento nestes.
Ao cuidarmos das pessoas, suprindo suas necessidades básicas de alimentação, abrigo, educação, trabalho satisfatório e contato humano satisfatório de forma equilibrada, estaremos também cuidando da Terra.
3. CONTRIBUIÇÃO DO EXCEDENTE
Após termos suprido nossas necessidades básicas individuais ou familiares, tendo projetado nossos sistemas da melhor forma possível, poderemos expandir nossas energias para auxiliar outros no alcance desses mesmos objetivos.
Por ser um sistema de design, a Permacultura vale-se de princípios operacionais, sendo todos eles fruto da observação da Natureza:
PRINCÍPIOS
1) UTILIZAÇÃO DE RECURSOS BIOLÓGICOS (Renováveis)
Através do uso de lenha como combustível; de esterco e ervas (esterco verde) como fertilizante; de galinhas e porcos na aração; de minhocas na aeração do solo.
Utilizando plantas que atraem insetos predadores ou plantas que atraem aves predadoras no controle de pragas e insetos.
Procedendo o controle de ervas daninhas, colocando gansos na capina.
Mas ATENÇÃO: Tem que ter MANEJO ! Tem a hora certa p/ introduzir.
Interação com a Natureza X Automatismo.
2) ACELERAÇÃO DA SUCESSÃO e EVOLUÇÃO NATURAL
“Cada estágio cria as condições certas para o próximo estágio”
É possível abreviar etapas:
Utilizando o que já está crescendo no local, cortando e usando como “mulch”.
Introduzindo plantas para a correção do solo (acidez, alcalinidade, salinização, erosão, cansaço, alagamento).
Cooperar X Competir
3) DIVERSIDADE
Consórcio em contraposição à monocultura.
Um sistema de elementos (plantas, animais e estruturas) que trabalhem harmoniosamente juntos.
Espécies que não causem prejuízo umas às outras
Não competição por luz, água e nutrientes.
Resultado : maior produção e estabilidade
Auto-suficiência alimentar X Atividade lucrativa.
4) EFEITOS DE BORDAS
Exemplo de bordas: terra/água, floresta/campo, estuário/oceano, pomar/plantações.
É na interface entre dois sistemas que ocorre a maior diversidade de fauna e flora. As bordas contem espécies dos dois sistemas, além das que lhe são próprias.
Criar e Planejar os limites de sistemas. Canteiros, espiral de ervas, horta mandala, açudes. PADRÕES.
Desenho natural X Geometria racional.
5) CICLOS ENERGÉTICOS
A 2ª Lei da Termodinâmica enuncia que a energia é constantemente perdida, ou se torna menos útil ao sistema, ao longo do processo.
No entanto, é através de uma constante reciclagem que a vida na Terra prolifera (interação entre plantas e animais).
O objetivo é, além de reciclar e aumentar a energia do sistema, captar, armazenar, utilizar antes da degradação, até o nível de uso energético mais baixo.
Tudo é Recurso X Cultura do Desperdício
6) SISTEMAS INTENSIVOS (Escala possível/Humana)
Sistemas centralizados, industrializados, são implantados em grandes áreas, e se utilizam de tratores, aviões pulverizadores, colheitadeiras, carretas de transporte, e são administrados para obter lucro financeiro.
Sistemas intensivos priorizam o design de áreas em escala adequada, e utilizam certa quantidade de trabalho humano, o uso de ferramentas manuais, a acumulação gradual de plantas produtivas perenes, recursos biológicos, tecnologias alternativas para a geração e economia de energia, e uso moderado de máquinas, de forma que haja o controle por parte de quem maneja, para a produção suficiente de alimento.
“Comece a planejar a partir da porta da casa, e trabalhe em sistemas pequenos e intensivos, desenvolvendo o núcleo por completo, antes de ir adiante”. Ex.: Filipinas (12 m_).
Nossas energias são dedicadas a espécies às quais temos acesso, e não aquelas que possam estar no meio de um vasto território sem limites definidos.
Escala humana X Escala industrial
7) PLANEJAMENTO ENERGÉTICO Eficiente
Em qualquer área ou situação é necessário realizar antes de planejar, o levantamento de todos os fatores externos (energias) que incidirão na produção e vida local.
7.1 Os Setores (Sol, Ventos, Chuvas, Tempestades, Fluxo de Água, Fogo, Invasões).
O zoneamento das atividades deve obedecer ao critério de periodicidade e intensidade de cuidados.
7.2 Por Zonas Z 0 – casa, galpão, outros prédios
Z 1 – ervas, estufa, viveiro, horta, composto
Z 2 - pequenos animais, pomares
Z 3 - plantação principal
Z 4 - pastagem p/ gado
Z 5 - floresta
Deve-se considerar sempre a topografia do terreno, pois a lei da gravidade deve estar a favor do sistema, e nunca contra.
7.3 Declividade – (lei da gravidade). o caso das águas
Os sistemas são compostos de elementos que exercem funções:
ELEMENTOS: Casa, estufa, cerca, açude, galinheiro, horta.
FUNÇÃO: Alimentar, aquecer, fornecer água, arar, proteger
8) CADA ELEMENTO EXECUTA MUITAS FUNÇÕES.
Ex.: o AÇUDE é reservatório de água, abriga peixes, barreira contra fogo, e espelha o Sol.
9) CADA FUNÇÃO IMPORTANTE É EXECUTADA POR MAIS DE UM ELEMENTO.
Ex.: a ÁGUA poderá ser proveniente de córrego, açude, água da chuva (cisterna), rede pública, frutas.
10) INTERCONEXÃO (LOCALIZAÇÃO RELATIVA)
Planejar a rede da vida no local que se é responsável, de maneira dinâmica e sustentável, de tal forma que se preservem os ciclos vitais.
Ecodesign – Permacultura
Ecodesign – Permacultura
Planejamento Ecológico
Tradução: Juliano Riciardi
Um método para o processo de desenho
O esquema que se segue foi proposto durante o curso que se realizou
As distintas fases se podem descrever assim:
1ª Fase - Identificar
Representa o ponto de partida do nosso processo de desenho. Nesta fase trataremos de identificar com precisão quais são os motivos para realizar o desenho. Iremos reconhecendo todos os dados possíveis sobre o tema a estudar e trataremos de compreender seu contexto – geográfico, socioeconomico, energético, etc.
Por exemplo, desenhar uma maneira eficiente de aproveitar a agua da chuva , ou propor uma estratégia para o tratamento de resíduos de um assentamento, ou ajudar a desenhar uma estratégia para revitalizar a economia de uma pequena localidade ou ecoaldea.
Existem muitas maneiras de se conseguir os dados que nos interessam:
* preparando um questionário para entregar aos interessados em receber o desenho, onde se realizam perguntas sobre todos aqueles aspectos que se tem que ter em conta: estilo de vida, necessidades, hábitos alimentícios, entorno, clima, economia, etc.
* realizando entrevistas individuais com as pessoas “afetadas” pelo desenho, incluindo as crianças...
* realizando um exercício de visão com todas as pessoas, para averiguar que elementos comuns e que aspirações devem cumprir o desenho desde o atual momento até
* pedindo uma lista dos resultados desejados e das coisas que se querem...
* passando um tempo no local de desenho e observar os processos naturais ou não, que se estão dando ali (por ex. atividades das águas pluviais sobre o terreno, ventos, rios, especialmente se contaminados, etc)
* propor visitas a outros lugares já desenvolvidos para ajudar a clariar as idéias
Observar
Identificar
Investigar
Evoluir
Opções
Desenho conceitual
Realização
Revisão
Reflexão
Estudar as Alternativas
Desenhar - um processo continuado
2ª Fase - Investigar
Nesta segunda fase do processo procuraremos conhecer todos os dados acerca do lugar e compreender suas potencialidades.
Para isso tentaremos:
* conseguir mapas de várias escalas do lugar, fotos aéreas,
* conseguir informações sobre a história passada do lugar (uso do solo, tradições, geologia, clima, etc.)
* perguntar para as pessoas que estão a muito tempo vivendo no lugar, as pessoas mais velhas da comunidade e dos arredores.
* conhecer a legislação local.
* realizar auditorias ambientais, sociais e energéticas.
* tratar de compreender quais são os pontos fortes do lugar e o que ali tem em abundância.
* fazer medições, etc
Em geral, se trabalhamos no comércio, pediremos a nossos clientes que nos facilite também todos os dados como mapas, partes metereológicos, fotos aéreas, analises da água, solo, etc. que se precise.
3ª Fase - Evoluir
Uma vez que todos os dados estão disponíveis:
* temos que começar a dar um sentido, analizá-los
* reuní-los, compará-los e organizá-los
* preparar um informe detalhado
* preparar uma mapa analítico do sítio onde se indiquem possíveis problemas ou situações e possíveis intervenções
* compreender as oportunidades do lugar, suas limitações e características
* deduzir
* Realizar uma análise de setores, dos pendentes e de redes
4ª Fase - Opções
Nesta fase, se apresentam aos receptores do desenho todas as alternativas que emergem da análise realizada na fase anterior, sem excluir alguma, esperando que isto ajude a individuar exatamente o objetivo que se pretende alcançar.
Também se tenta agrupar os elementos que surgiram das análises realizadas.
5ª Fase - Estudar as alternativas
Nesta fase se comprova a viabilidade das alternativas encontradas:
* se pode realizar uma analise dos elementos – suas necessidades, produtos e caracteríticas
* se comprova que seja adequado para o meio ambiente
* se comprova se vai aderir a visão dos receptores – se responde as necessidades expressadas
* se comprova sua viabilidade economica
* se vereficam os procípios de desenho e a ética
* se trata de antecipar os possíveis resultados
* se está construindo sobre os pontos fortes?
* se está adequado ao entorno??
* requer aportes mínimos???
Por exempo, todas estas comprovações se podem realiar com respeito a eventuais sistemas aquáticos, a gestão de pragas e dos maus,os excessos.
Um possível processo de desenho
6ª Fase - Desenho conceitual
Nesta fase é onde realmente começamos a agrupar todos os elementos uma vez escolhidos as linhas diretrizes do nosso desenho, havendo comprovado sua viabilidade nas fases anteriores. Aqui se produz um documento que explicita todas as partes do desenho e se darão indicações para realizá-lo com uma planilha de custos e a planificação temporal das várias fases necessárias para colocá-lo a caminhar.
Também se incluirá uma lista de bibliografias de textos e materiais necessários (e como consegui-los localmente)
Utilizaremos várias técnicas para realizar tudo isto:
- zoneamento
- diagramas de idéias
- assemblagem casual de elementos
- diagrama de fluxo
- identificar aquelas opções chaves realizáveis
- checar os princípios
- umbricação e conexões entre elementos
- integração com as construções
- tomada de decisões sobre o que fazer
- tratar de incluir todas as idéias do grupo
- realizar uma representação do resultado e discutir entre todos
Realizar um projeto de desenho em todos os seus detalhes pode constituir um trabalho longo e laborioso. Neste projeto se deve explicar ao público como são abordados todos os temas, tratados em detalhes e porque esse desenho os ajudará a melhorar sua qualidade de vida, ajudar a solucionar os eventuais problemas existentes e melhorará o local de onde está instalado e seus arredores.
7ª Fase - Implantação
Finalmente chegamos no momento tão esperado o da realização. Nesta fase temos que levar em conta os seguintes aspectos:
- saber como gestar o projeto
- por em prática o desenho feito
- ter claro os fluxos de trabalho e de temporização.
- estabelecer ações e responsabilidades
- ter acesso aos recursos necessários
- contar com decisões e eleições óbvias
- fazer com que o desenho evolua
8ª Fase - Observação
Apesar de estarmos mencionando a observação somente agora, o certo é que a observação é uma atividade que começa desde o primeiro momento e nos acompanha ao longo de todo o processo e o guia.
Desenvolver uma boa capacidade de observação é um dode de qualquer desenhista em permacultura e uma busca de qualquer pessoa que pretende viver e interagir em um (eco) sistema modelado sobre o fuincionamento dos ecossitemas naturais.
Assim, nos perguntaremos a cada momento, e especialmente uma vez realizada ações em nosso sítio, como o sítio responde a essas atuações ao longo do tempo.
Para sacar o sentido de nossas observações podemos:
- manter um diário
- fazer fotografias
- e monitorar constantemente o sítio do desenho.
9ª Fase - Refletir
As observações contínuadas nos farão compreender quais coisas estão funcionando e quais não estão. Trataremos então de:
- identificar os problemas e os exítos
- compreender porque as coisas estão funcionando ou não
- perguntar as pessoas que estão envolvidas ou afetadas
- perguntar se há maneiras melhores de se fazer as coisas
- chamar a todos os implicados a oferecer oportunidades
- também cabe perguntar se necessitamos mais informação
10ª Fase - e por último, Revisar
Este é o momento em que repensamos e redefinimos as coisas. Para isso necessitamos:
- abrir um processo de consulta com as pessoas envolvidas e com os agentes sociais,
- podemos tentar provar outras opções
- podemos redefinir as linhas de ações e as motivações
- podemos chegar a repensar todo o projeto
- podemos querer envolver novas pessoas
Mas o importante é que todo este processo se mantenha flexível e dinâmico, como os ecossitemas.
O (observação) => Observação do lugar, seus arredores, os fluxos de energia que os atravessão, etc.
B (Limites e recursos) => Limitações e recursos: registra-los e fazer um para com sua localização
R (research) => Investigar
E (examination and análisis) => Examinar e analisar os dados do sítio e outros
D (design) => desenhar
I (implement) => Realizar => realizar
M (monitoring, modification & maintenace) => Monitorar, modificar e manejar
Conclusões
Como se pode deduzir, um desenho de permacultura é um processo importante e não se pode improvisar.
Requer sem dúvida, que desenvolvemos toda uma série de habilidades que no curso natural de nossa educação estão fomentadas cada vez menos.
É notório, nos ambientes de permacultura, que quando queremos instalarmos em algum lugar, especialmente se este se encontra na natureza, é conveniente esperar pelo menos um ano antes de realizar desenho algum, justamente para dar esse processo de observação e recolhimento de dados na possibilidade de surgir coisas novas e que nos ajude a compreender as interações que ali estão se dando, sem as quais, estaremos destinados a recair na maneira habitual de fazer as coisas que tanto danificam a nossa mãe Terra....seremos capazes de esperar tanto???
FDOD = Análise de pontos fortes, pontos débeis, oportunidades e dasafios de uma situação.
PNI = Individuar os aspectos positivos, negativos, os interessantes de uma situação.
Análises de Necesidades = Se trata de individuar cada uma das necessidades e as maneiras de soluciona-las o mais localmente possível.
Análises de Elementos = Individualizar Necessidades, produtos e características dos elementos chaves do desenho. Nos ajudará a conectar as necessidades de uns (inputs) com os produtos de outros (outputs). As caracter´siticas (o comortamento) nos ajudaram a saber como um elemento se pode utilizar de outras maneiras (multiplas funções).
Elementos nas Zonas = Estudar em que zonas colocar cada elemento, estudando quantas vezes se necessita visita-lo ao longo do ano ou quantas vezes necessitam nossa visita. Quantos mais visitas se necessitam mais perto da casa devem estar.
Análises de abundancias e limitacões = Identificar problemas, vantagens, abundâncias e soluções. É uma ferramenta muito útil tanto na fase de investigação como na fase de revisão.
